A moral medieval está tão arraigada em nosso modelo mental que quase sempre entendemos as coisas e julgarmos as pessoas a partir desse prisma. O mais intrigante, contudo, ocorre quando o comportamento avaliado é o meu. Creio que a velhice está me deixando impaciente com as pessoas e o mau humor começa a aparecer aqui e ali. Certos comentários vazios de pessoas vazias, atitudes infantis em adultos, crenças absurdas e sem sentido, medos idiotas e histerias desnecessárias me exasperam. Julgo severamente a mim mesmo e digo que preciso controlar meu mau humor, já que o mesmo não parece ser digno de uma pessoa que se acredita equilibrada. A desculpa da velhice é fajuta e começo a acreditar que não sou tão equilibrado assim. Eis que o espírito da Filosofia vem em meu socorro e ponho tudo numa balança para análise. Neste sentido, mau humor significa uma agressividade direcionada a um ponto objetivamente dado e bem delimitado. Meço esse ponto e percebo que só há duas situações possíveis, deixando de lado, é claro, qualquer traço de moral medieval: 1. Ou descer a porrada, o que não é do meu feitio ou 2. Ficar mal humorado, já que também não é do meu feitio xingar as pessoas (nesse ponto, deveria ter aprendido mais com meu amigo Pietro Wagner). O mau humor está atrelado, em seu sentido negativo, à crença medieval cristã na superioridade dos mansos. Mansidão é importante em certos casos, mas em outros, sou obrigado a reconhecer, a ira é bem melhor.
sexta-feira, 14 de outubro de 2011
Contemporâneas IV
A moral medieval está tão arraigada em nosso modelo mental que quase sempre entendemos as coisas e julgarmos as pessoas a partir desse prisma. O mais intrigante, contudo, ocorre quando o comportamento avaliado é o meu. Creio que a velhice está me deixando impaciente com as pessoas e o mau humor começa a aparecer aqui e ali. Certos comentários vazios de pessoas vazias, atitudes infantis em adultos, crenças absurdas e sem sentido, medos idiotas e histerias desnecessárias me exasperam. Julgo severamente a mim mesmo e digo que preciso controlar meu mau humor, já que o mesmo não parece ser digno de uma pessoa que se acredita equilibrada. A desculpa da velhice é fajuta e começo a acreditar que não sou tão equilibrado assim. Eis que o espírito da Filosofia vem em meu socorro e ponho tudo numa balança para análise. Neste sentido, mau humor significa uma agressividade direcionada a um ponto objetivamente dado e bem delimitado. Meço esse ponto e percebo que só há duas situações possíveis, deixando de lado, é claro, qualquer traço de moral medieval: 1. Ou descer a porrada, o que não é do meu feitio ou 2. Ficar mal humorado, já que também não é do meu feitio xingar as pessoas (nesse ponto, deveria ter aprendido mais com meu amigo Pietro Wagner). O mau humor está atrelado, em seu sentido negativo, à crença medieval cristã na superioridade dos mansos. Mansidão é importante em certos casos, mas em outros, sou obrigado a reconhecer, a ira é bem melhor.
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Uma avaliação para isto está em seu próprio post sobre o inconsciente humano. Nós estaremos sempre suscetíveis as opiniões, crenças, histerias ou comentários de outras pessoas. A questão é, mais vale receber tais comportamentos e opiniões, mesmo que estes te tragam ira e descontentamento, ou estar plenamente satisfeito intelectualmente? Pra mim é a primeira opção, mesmo quando sei que as opiniões serão para mim, dispensáveis, as escuto, porque tenho a consciência de que nunca me sentirei conhecedora de tudo.
ResponderExcluirTenha em mente, que com certeza existem pessoas que também discordam das suas opiniões ou acham seus comentários vazios, mas mesmo assim, você nunca deixará de fazê-los, assim como eu faço, quando algum assunto me desperta interesse intelectual.
Todos os dias me deparo com comportamentos desprezíveis e fúteis, mas não fico com raiva, às vezes ojeriza, mas ainda assim, os observo, algo de construtivo sempre acontece, nem que seja aprender mais sobre o comportamento humano.
O mau humor nada mais é do que desculpa para justificar um descontentamento pessoal, as pessoas que estão de fora são apenas um "espelho" que vai repelir essa raiva quando algo desagradável acontece. E aí você pensa que encontrou o motivo do mau humor. Quando na verdade, encontrou apenas uma desculpa para justificá-lo.
Prix Viana.
P.S.: Não, dessa vez não vou falar de Slipknot!
Prix: que há pessoas que discordam de mim... é claro que sei e acho isso muito produtivo e revigorante. Ojeriza e raiva? Engraçado. Se você não fica com raiva é porque ou você é uma monja ou uma santa. Não sou santo e nem monge e já estou ficando mais velho (o que falei no post). Desculpe-me, mas creio que você não entendeu nada do que escrevi. Como diria Caetano: vai entendendo quase nada do que digo! ;) Mau humor e descontentamento pessoal? Santa tautologia, não? E essa do espelho é mais velha do que minha bisavó. rsrsrsrsrsrsrs. O velho Jung. E não entendi muito bem o que você quis dizer quando falou em conhecedora de tudo. Novamente: ou 1 ou 2.... e sempre tenho que escolher diante da inevitável responsabilidade de minha liberdade. Meu amigo Leonardo Neves sabe do que estou falando.
ResponderExcluirIndeed, eu deveria ter comentado "Ah Professor, adorei o seu blog, concordo com tudo e adorei suas poesias". Esses sim, entendem tudo que está escrito aqui, certo?!
ResponderExcluirSer cordial as vezes faz bem. Afasta o mau humor! ;)
Prix: Não, em absoluto. Muito pelo contrário: em 30 anos de Filosofia aprendi que o pensamento só é posto em marcha ou se aprofunda com a figura do outro, o dissonante, o discordante, aquele que o nega e que o obriga a se corrigir sempre, indo mais além. Não quero e nunca esperei que concordem comigo ou que gostem de meus escritos.... isso é coisa de adolescente. O problema, como sempre, está no pensamento apressado, sem meditação e sem base. O exemplo do Slipknot corrobora o que falei. Você falou que 100 mil pessoas acharam o melhor show do mundo e daí você inferir que a banda é boa. Trata-se de uma falácia de apelo ao povo. Se a maioria diz isso, então é verdade. Coitado de Galileu que sozinho entendia que a terra não era o centro do Universo. Todos acreditavam no contrário, logo ele deveria estar errado. Você não entendeu que eu estava fazendo uma análise estética e não do gosto. Já escrevi duas vezes aqui: de gustibus non disputandum. O mesmo ocorreu no post acima. Repito que não espero nunca que todos concordem comigo – isso é tanto fato que não há moderação neste Blog dos comentários, ou seja, todos podem comentar o que quiserem. Essa atitude seria estupidez. Que sempre haverá pessoas que acharão meus escritos péssimos e vazios é a coisa mais óbvia do mundo. O único problema reside nos fundamentos! A única coisa que espero diante do pensamento – a única coisa que me interessa – é que haja um processo de meditação sobre o que se fala e sobre o que se lê. De outro modo, estamos condenados a um “achismo” interminável, inócuo e que se resume apenas a uma batalha de egos. Como disse, fico muito mal humorado com essas besteiras.
ResponderExcluirE, sim: concordando ou discordando... é preciso fundamento.
ResponderExcluirConcordo que o pensamento só se desenvolve com a figura do outro, foi o que eu quis dizer em "nunca pretendo ser conhecedora de tudo", sofremos influências externas constantemente, e ainda bem que isso acontece. Sabe uma coisa que me deixa bem mau humorada? Ver que algumas pessoas tem a mente fechada demais, que não lidam bem com críticas, mesmo que estas sejam feitas com fundamento. Em momento nenhum eu disse que Slipknot era uma banda excelente, mas que os integrantes eram excelentes musicistas, isso sim. Debati apenas o seu extremismo em relação a criticar o Rock in Rio. E continuo dizendo que o show do Slipknot foi sim, impecável, musicalmente e fisicamente.
ResponderExcluirAcho seus escritos excelentes, acho a sua estética muito bonita, tenha certeza de que não estaria aqui se não admirasse. "Achismo" pode sim ser as vezes apenas uma batalha de egos, mas um blog feito para expressar idéias deve ser comentado, se não, me diga, que graça teria?
As coisas só se tornam construtivas desse jeito. Isso enriquece aqueles que leem e que entendem o que leem.
Prix: agora que você esclareceu sua opinião, creio que concordo com você. Mas ainda continuo achando os caras do Slipknot péssimos músicos. O show foi impecável em termos visuais pra quem gosta e apenas isso.;)
ResponderExcluirEles são, individualmente, bons músicos. Mas gosto é gosto, ainda bem que as pessoas são diferentes (exceto aquelas que gostam dos bregas e pagodes da vida), estas sim não fariam a mínima falta se fossem exterminadas! (:
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