quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Artes Visuais




Cao Guo-Qiang é um artista chinês contemporâneo que extrapola os limites da arte minimalista, pós-minimalista e da Land Art. Apesar de tomar parte no grupo de artistas que seguem a preocupação ecológica da Land Art, Guo-Qiang desenvolveu um trabalho radicalmente inovador – inclusive atingindo a obsessão pela morte de Damian Hirst – e que nos fala das diversas matizes que habitam nosso cotidiano: consumo, distanciamento da Natureza que passa a ser encarada apenas como fonte de recursos, bioética, tecnologia e humanidade.
O trabalho de Guo-Qiang pode parecer, num primeiro olhar, mais apelativo ou exagerado do que deveria ser. Contudo, creio que essa sensação inicial se esvai quando trafegamos por suas obras despojados de qualquer entendimento estabelecido; especialmente se o mesmo estiver carregado de uma visão canhestra sobre questões ecológicas ou de bioética.
Apontando para a morte, entendo que as obras de Guo-Qiang falam sobre a vida, ou melhor, sobre a real dimensão de nossa vida diante da Natureza. O vínculo que o homem possui com a Natureza – vínculo de amor e cuidado – torna-se cada vez mais tênue numa sociedade em que tudo se agita ao sabor da objetificação, do pensamento que a tudo calcula e que só pode pensar em termos de lucro, controle e poder.
Não se pode negar a importância do lucro, do controle e do poder, mas é preciso entender a dimensão mais profunda dessas esferas e atingir um olhar claro sobre as mesmas.
O século XXI, parece querer dizer Guo-Qiang, pode se arvorar em diversos direitos, mas não lucrar, controlar e ter poder sobre a vida. É a vida a fonte dessas dimensões e não o contrário. A tecnociência não pode ser a dominadora do homem – a arte, aqui, expressa essa linha entre a vida e a morte e o modo como nós encaramos essa ruptura através de um olhar antropocentrado.
A angústia, tão própria de uma cultura antropocentrada, pode não surgir numa cultura biocentrada. A arte de Guo-Qiang demonstra essa junção entre a ação humana e o fazer da Natureza. Há um desespero em suas obras que se traduz por um desespero eminentemente nosso. Não é um apelo da Natureza, mas sim um apelo a partir da Natureza. As flechas, então, estão apontadas para nós e apenas isso.

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