terça-feira, 18 de agosto de 2015

Comentários Cotidianos



Arte degenerada

Em 1892, Max Nordau escreveu a obra Entartung (Degeneração) onde ataca o que ele acreditava ser uma arte degenerada. Em seu livro, Nordau defende que o fim de seu século vivia uma degeneração da moral e dos costumes, culminando com a degeneração da arte. Pensadores e artistas como Nietzsche, Wilde, Ibsen e Wagner entram no rol dos degenerados. 
Este livro de Nordau não teria tanta repercussão fora dos meios acadêmicos se não fosse lido por Alfred Rosenberg. Rosenberg foi o principal teórico do Nazismo. Sua obra principal é O Mito do Século XX. Nesta obra, Rosenberg se vale da compreensão de degeneração de Nordau para explicitar os princípios de pureza da raça tão essencial ao Nazismo. 
Rosenberg entendia que os nórdicos (escandinavos, alemães, neerlandeses e ingleses) eram de uma raça superior. E que os alemães seriam a raça superior da raça superior. A degeneração proclamada por Nordau só seria possível de ser compreendida se, de acordo com Rosenberg, entendêssemos a degeneração das raças inferiores. Caberia à raça superior purificar a humanidade se valendo de uma higienização étnica universal. 
Em 1927, Rosenberg escreve uma coletânea de ensaios intitulada Der Sumpf (O Pântano). Nesta obra, Rosenberg acusava os artistas de vanguarda de serem acometidos de uma doença da alma. Esta degeneração artística seria fruto do capitalismo e da cultura comunista. 
Tal concepção ganhou espaço e notoriedade entre os teóricos da arte e da estética do Partido Nazista. Um dos mais relevantes teóricos da arte que associaram a ideia da degeneração com a arte foi Paul Schultze-Naumburg. A partir de 1928, Schultze-Naumburg passou a associar a arte moderna com a degeneração. No leu livro Arte e Raça, Schultze-Naumburg – que era pintor, arquiteto, publicitário e político – estabeleceu comparações entre as obras de grandes nomes da arte moderna – Modigliani e Otto Dix, por exemplo – com pessoas deformadas, doentes mentais e estropiados.
Os expressionistas alemães foram o alvo preferido da crítica nazista aos modernistas. Os nazistas acusavam os expressionistas alemães de demonstrarem uma sociedade fragmentada, fraturada socialmente em suas obras. Esse universo teórico iria ganhar força quando, em 1933, Hitler assume o poder na Alemanha.




O autoritarismo e o obscurantismo intelectual dos nazistas culminaram com a famosa exposição Entartete Kunst (Arte Degenerada) que foi inaugurada em 19 de julho de 1937 na galeria Hofgarten e organizada por Adolf Ziegler que era presidente da Câmara de Artes Plásticas do Partido. Goebbels, ministro da propaganda nazista, havia selecionado as obras modernistas consideradas degeneradas.
O que impressiona nesta exposição é a qualidade dos quadros escolhidos. Entre os grandes artistas considerados degenerados pelo Nazismo, tínhamos: Pablo Picasso, Giorgio de Chirico, Georges Braque, Henri Matisse, Marc Chagall, Wassily Kandinsky, Piet Mondrian, Paul Klee, Edvard Munch e Emil Nolde. O lituano Lasar Segall, que tomaria parte no movimento modernista brasileiro, teve seis de suas obras incluídas na exposição. 
Quando pensamos nas causas que levaram os nazistas a abominarem a arte moderna - e mais especificamente o expressionismo – vale lembrar as palavras da artista plástica Yeda Arouche: “O modernismo incomodou primeiro por rejeitar as tradições do passado. O artista moderno adquirira liberdade de criação, formal e de expressão, lidando com a sensação pessoal, fazendo críticas e levantando questões. Tal postura, no mínimo, foi desconfortável para um estado centralizador que precisava sustentar uma ordem e uma união em torno de sua ideologia. Além disso, para a ótica nazista, qualquer representação fora dos padrões naturalistas seria considerada um desequilíbrio, uma degeneração”.




Entretanto, para além dessa dimensão social e política da teoria da degeneração, creio que há um fator ainda mais subterrâneo: o reconhecimento de sua monstruosidade a partir de sua ignorância. Isso significa, assim creio, entender que os teóricos do Nazismo – e, em especial, o próprio Hitler – não conseguiram captar a dimensão profunda da arte moderna e tampouco, isso é evidente, a angústia, a solidão, a expressão livre do artista, a dimensão existencial do expressionismo. 
Enxergaram apenas a monstruosidade superficial das obras. E por serem seres da superficialidade – todo nazista é, em si, um caso crônico de superficialidade histórica e intelectual e daí, como diria Imre Kertész, serem criminosos comuns, sem nada de excepcional ou fantástico – compreenderam apenas a si mesmos nestas obras, ou seja, viram os monstros que eles mesmos eram.
Hitler, assombrado feito uma criancinha por sua própria monstruosidade, decidiu banir de seu imaginário o bicho papão da modernidade. Era preciso queimar, matar e exterminar esta arte de uma vez por todas. Não se tratava, creio eu, de uma associação vã entre os deformados e esta arte entendida como degenerada. Tal associação encobria, de fato, o espelho em que eles se viram. 
Era preciso devastar, extirpar o espelho de uma vez por todas. Tudo o que era moderno foi eclipsado e deformado pelas lentes doentias dos verdadeiros degenerados. Enxergaram a sua própria monstruosidade em obras que nada possuíam de monstruoso. Mas o delírio – seja ele coletivo ou individual – deturpa o mundo e não consegue sair de seu círculo vicioso.
Hitler, degenerado em si mesmo desde sempre, percebeu que sua falta de talento artístico estava sendo denunciada pela grandeza daquelas obras. A exposição de 1937 nada mais foi do que a queima dos espelhos. Espelhos distorcidos, é bem verdade, mas sintomáticos de uma verdadeira degeneração que culminou com as atrocidades dos verdadeiros monstros.


Minhas Crônicas

Crônica da Estupidez

H. é a personificação da estupidez. Um estúpido, antes de tudo, é um arrogante. Aquele que pensa que é muito mais do que realmente é. H. é o Falstaff de Shakespeare, o fanfarrão por excelência.
Entretanto, e isso é importante esclarecer, H. não é o estúpido no sentido do sujeito desprovido de inteligência. H. é o estúpido no que o sujeito tem de mais medíocre, apesar de sua inteligência mediana. H. é aquele que se sente superior, acha-se importante, o centro do universo – apesar de sua visão não alcançar nem a si mesmo – e desdenha de todos e de tudo.
H. é o indivíduo que se acha esperto. Pensa sempre que o universo tem uma dívida eterna com ele. H. senta-se à mesa com os amigos, bebe e come como se fosse um romano antigo e, na hora de pagar a conta, some. Surge logo depois, quando seus amigos – se é que H. pode ter amigos – já pagaram a conta e se dirigem a outro bar ou restaurante. “Vamos para onde, companheiros?”, questiona H. do alto de sua estupidez.
H. é aquele que, após se livrar da conta, liga para um de seus amigos – novamente, creio que H. não tem amigos – e pergunta: “Querido, poderias vir aqui no apartamento de meu amigo X. e trazer uma garrafa de vodca e um saco com gelos?”. O estúpido é, antes de tudo, um cínico. Mas não aquele cinismo grego de Antístenes. Não, deus nos livre. H. é o cínico no que o cinismo tem de mais baixo e vil.
Este estúpido é aquele que fala segurando no queixo, olhando para você de cima para baixo com um ar doentio de superioridade, achando-se a melhor coisa que deus colocou neste mundo. Mas, lá no fundo, H. sabe de sua mesquinhez, de sua estupidez crônica. Finge sempre. Lógico, como não fingir diante de si mesmo quando se é um estúpido?
H. é aquele estúpido/idiota que encontra algum conhecido seu e espirra: “Olá, como vai? E como vai... bem... como é o nome daquele seu amigo mesmo?”. Tudo encenação. Como disse antes, H. é o Falstaff vivendo num palco eterno.
H. é muito vaidoso. A vaidade, nestes casos, culmina com seu apego à sua situação burguesa. Seus pais tiveram sucesso na vida, ganharam dinheiro e possuem um belo apartamento no lugar mais burguês da cidade. H. vive lá, escorado em todos, mas fingindo, como sempre, ser o que não é.
Sem talento algum para absolutamente nada, aventura-se nas artes. Aventura-se nas ciências. Aventura-se em qualquer coisa em que sua vaidade possa lhe alimentar. Mas sua falta de talento é enorme. H. sabe disso, mas continua fingindo. “Por que o mundo não me deu talento, meu deus?”, conclama aos céus em sua solidão. Tudo em vão.
Assim como Falstaff, H. está condenado a ser abandonado por todos. Vai morrer sozinho, é bem verdade, lamentando-se do que não entende. Acreditou-se amigo do rei, mas a sua estupidez é muito maior. Sem rei, sem amigos, sem talento, H. é o explorador dos outros por excelência, um vampiro diurno que a tudo quer para si.
Há uma definição célebre de Harold Bloom sobre o personagem de Shakespeare: “Você não considera os maus atos de Falstaff moralmente mais do que considera os crimes muito mais atrozes de Reynard, a Raposa. Você não os ignora, mas considera apenas o seu aspecto cômico”.
É isso: H. é o estúpido cômico. E apenas isso.




Meus Livros



(Trecho de abertura do meu romance Mauritstadt – um romance camusiano –
que será lançado em dezembro pela Editora Alighieri)

I
Anotações em uma tarde devastada.

                Hoje, meu pai morreu. Ou talvez, ontem, não sei bem. Recebi uma mensagem de minha tia: “Gabriel, infelizmente sou obrigada a lhe informar que seu pai faleceu no hospital ... Sentimos muito”. Eu olhava para o celular com grande incredulidade. Estava cruzando a Marquês de Olinda no Recife Antigo sob um céu fechado e diluviano. Senti-me traído com aquela notícia. Corri para uma rua deserta e desabei num choro copioso, intenso em sua verdade e sofrimento. Entretanto, havia algo subterrâneo naquele choro, mãos invisíveis que me conduziram até ali. Como era possível desejar o inalcançável? Como ansiar por algo que nunca poderia se realizar? Eu era, e isso agora o sabia de modo aterrador, um mendigo voluntário. Quarenta anos mendigando o amor de meu pai – um amor inexistente, uma distância em tudo, um peso lacônico que agora se revelava em toda a sua potência. Eis minha doença: mendigo de um amor que nunca seria correspondido, um Édipo invertido acorrentado por uma profecia infernal: “Tirésias se faz presente! Silêncio!”.
                Contemplei o mar ao longe e pensei em espaços abertos, em nuvens ligeiras que a tudo dominam. Era preciso encontrar um refrigério para essa dor. Mas minha crucificação era exterior. O amor de meu pai, que mendiguei a vida toda, estava lá fora, morto, estupidamente morto. Uma tarefa que sempre fracassara e que se alimentara de uma absurdidade muito própria. Quando consegui controlar meu choro, retornei a ligação para minha tia. Ela contou-me a causa mortis e disse que o enterro seria amanhã... “Seus familiares estarão lá, Gabriel. Eles lhe darão força” – sua voz parecia doentia. Entrevi o cigarro em suas mãos e pensei em seu pulmão fraco. Agradeci e segui até o cais do antigo porto. Ali estava eu, Gabriel Villa-Lobos, quarenta anos, fracassado em quase todos os sentidos, sabedor agora de uma verdade insuportável. Sentei-me num velho bar e pedi uma cerveja e uma dose de conhaque. Liguei para cancelar todos os compromissos daquele dia. Expliquei minha situação para meu chefe que me disse: “Oito dias de folga, não se preocupe. Meus pêsames”.
                O conhaque desceu queimando mais meu cérebro do que meu estômago. Minha tia Anita me informara que ela mesma iria providenciar o funeral e o enterro. Ela sentia pena de mim, mas não era capaz de enxergar o alcance real de meu sofrimento. Talvez eu devesse estar lá ao lado de meu pai na hora de sua morte. Possivelmente eu lhe questionaria sobre a sua falta de amor e pensei que foi melhor assim, ficar longe, apenas espreitando. O poder da distância e a impossibilidade da proximidade tornam qualquer tentativa de amor um ciclo infernal, um redemoinho que nos arrasta sem nossa permissão. Maldita profecia! Maldito Tirésias!


Meus Poemas


Apocalíptica

É noite: o silêncio corta o cais
e chega até nós a lembrança
de que fomos gigantes

Lapidei teu corpo no mármore
e derramei meu prazer nas curvas
de tudo o que tu és

Os castelos de nossa desdita
foram todos destruídos
incendiários que somos

O mundo coube numa caixa
e brincávamos de tudo poder
onde o mar é sempre mais vasto

Limpei tuas feridas
dei-te um lar mais real
explicando-te sobre as estrelas

Tuas dúvidas, joguei-as fora
Sim, minhas mãos seguram o mundo
mas só para desvendá-lo e destruí-lo.





Poemas dos Amigos I


anti-poema ou poema panfleto
para um certo pastor 
ou pastor-panfleto 
que me tem irritado os ouvidos 
Pietro Wagner

da tua voz,
apenas gritos esganiçados
e o fedor do carvão de fogueiras antigas.
que algum deus te perdoe.
eu não.

da tua voz,
o cheiro deletério,
o que não é conceito.
que alguma estrela se apague
para te almadiçoar.
eu não.


conheço teus gritos
já de ouvi-los tanto.
acusas, condenas, ameaças.
eu te acuso.

isto não é um poema,
faia má,
mas o canto que deve cantar
diante do ódio.

por isso, teu nome
não deve ser dito.
apenas basta que a árvore
que se alia à palavra má
te diga.

e se um dia tua faia virar floresta,
que um incêndio de luzes
te afaste da terra.

não te quero calar.
outros e outros e outros
são e virão e são e serão
e dirão teu discurso.
alguns já disseram.
um, em alemão.

sim, deves falar.
para que todos saibam
em que escroto nasce o
sêmen que fecunda a treva
que te reproduz.

também não argumentos.
contra ti apenas o cuspe nojento
da tua saliva
é o veneno que basta para te desnascer.

da minha voz,
esses versos esganiçados.
nada mais direi de ti.

do ódio, que fique apenas o meu,
o meu que também não te dedico,
o meu que apenas destilo porque,
bem acompanhado por um bom destilado,
ele me lembrou que, faz tempo,
eu devia um brinde
contra o teu crime.

um brinde
a todos que se calam ou são silenciados
vítimas do ferro de tua boca.

e queima em teus ferros
os náufragos das ideias
e a dor do naufrágio te segue
em uma romaria de cegos.

arde em tua fogueira,
profeta do ódio.
da morte tu que és
filho, pai e pasto

Poemas dos Amigos II



O fluxo flui
Fábio Carneiro

Eu fico aqui como herói da resistência
Ou vou embora como vai um sonhador
Derrubar muros, construir jardins e pontes
Derrubar muro, construir jardim de flor
Você me espere sorrindo, que eu volto logo
Eu vou trocar recado com outra civilização
Porque aqui tudo muda o tempo inteiro
E porque lá o tempo inteiro é mutação
O fluxo flui O fluxo flui O fluxo flui
O fluxo flui O fluxo flui O fluxo flui
O fluxo flui O fluxo flui O fluxo flui
O fluxo flui O fluxo flui O fluxo flui

Livros


(Que Diogo Mainardi é medíocre e estúpido quando o assunto é política no Brasil não há dúvida. Suas opiniões de uma elite de extrema direita retrógada são bem conhecidas. Suas ideias defendidas canhestramente na  extinta coluna da Veja e as aberrações perpetuadas no programa Manhattan Connection já são suficientes para acusá-lo de estupidez. Mas não é deste Mainardi que quero falar. Quero falar do escritor, do erudito e, acima de tudo, do pai).
Neil Young é a trilha sonora do livro A Queda de Diogo Mainardi.  O livro trata do filho mais velho de Mainardi, Tito. Tito nasceu num hospital de Veneza em 2000. Os desastres e erros médicos fizeram com que a criança nascesse com paralisia cerebral.
Mas, deixando de lado as posturas políticas, A Queda vale por se tratar de um relato emocionante de um pai que se depara com a deficiência de seu filho e decide viver a partir dessa deficiência.
Como intelectual, Mainardi vai compondo a história de seu filho com o passado e o presente: literatura, arquitetura, nazismo, medicina, viagens e escolhas. O hospital em que seu filho nasceu foi projetado pelo arquiteto Pietro Lombardo. Le Corbusier foi convidado para fazer uma reforma no velho prédio veneziano.
O filho de Mainardi aprende aos poucos a caminhar. Toda vez que caminha, cai. A queda, assim – diferentemente de Camus ou do Gênese – é a queda física, a queda do limite, da incompetência médica – o uso desastroso de um amniotomo.
A história de Tito é comparada à história da humanidade no que ela tem de grandioso e hediondo. Tito, para Mainardi, é Ricardo III. Vicent Price vive a personagem de Shakespeare no filme Tower of London: é “deforme,cambaleante, espástico, com o rosto verde”.
Tito, para Mainardi, lembra as crianças paralíticas que foram exterminadas pelo programa T4. Hitler acreditava que o Reich deveria resolver o problema das “pessoas sem futuro”. Tratava-se das vidas sem valor: Unwertens Leben. A eutanásia voluntária era o programa T4. A ideia de uma higiene racial, levada a termo pelo Führer e seus comparsas, culminou com os experimentos nos campos de concentração.
A escolha de quem deve viver ou não, nos campos de concentração, se dava a partir desta ideia de vida útil e vida inútil. Josef Mengele, médico que conduziu diversos experimentos em Auschwtiz, e que decidia pela vida dos prisioneiros neste campo, se valia das premissas dessa teoria distorcida sobre a vida e seu valor.
Num de seus experimentos abomináveis, Mengele costurou duas crianças uma na outra, unindo-as pelas costas. Os nomes dos meninos: Tito e Nino. Os nomes dos filhos de Mainardi: Tito e Nico.
Mengele fugiu após o fim da guerra e refugiou-se no Brasil. Morreu em 1979 de um derrame cerebral enquanto entrava na praia da Enseada em Bertioga. Mainardi viaja com os filhos até a praia: “Vim até aqui, com meus filhos Tito e Nico, seguindo o rastro de Josef Mengele. Quero entrar no mar em que ele morreu. Quero tripudiar sobre seu cadáver. Quero comemorar o valor da vida de um filho inválido”.
As quedas de Tito só aferram Mainardi ainda mais à vida. Escolher a vida. Aceitar a vida e ser feliz com a vida que se tem. O filho de Mainardi se torna seu tudo, seu deus, seu tempo, sua alegria, torna-se ele mesmo.
Mainardi cita Christy Brown, Ezra Pound, Dante, Monet, Karel Bobath, Berta Busse, Lou Costello, Giacomo Leopardi, Marcel Proust, Rembrandt e U2. Todos surgem como uma moldura para seu filho. Molduras para sua relação interminável, de um amor transcendente que a tudo doma e vivifica, com a fonte de sua alegria, Tito.
Neil Young é a trilha sonora de A Queda. Neil Young tem dois filhos que sofrem de paralisia cerebral. Neil Young é o guru de Mainardi. Young gravou um disco para seu filho Ben que sofre de uma paralisia cerebral mais severa. O disco se chama Re-ac-tor. Duas músicas tratam desse tema: T-Bone e Transformer Man. Mainardi entende Neil Young. Neil Young fala para Mainardi.
Livro emocionante por ser extremamente verdadeiro. Elaborar uma confissão dessas, em que o coração é exposto a despeito de tantos sofrimentos e esperanças, só pode, realmente, demonstrar o que o amor de um pai é capaz de fazer.
Mainardi conta os passos do filho. Conta a existência, conta a esperança, conta com o amor que o move: “Quando vi Tito na incubadora, no dia de seu nascimento, compreendi que o amaria e o acudiria para sempre. De lá pra cá, nada mudou. Eu o amarei para sempre. Eu o acudirei para sempre”.

Recomendo

Música

video

Vida Noturna

Aldir Blanc e João Bosco

Acendo um cigarro molhado de chuva até os ossos
E alguém me pede fogo - é um dos nossos
Eu sigo na chuva de mão no bolso e sorrio
Eu estou de bem comigo e isto é difícil

Eu tenho no bolso uma carta
Uma estúpida esponja de pó de arroz
E um retrato meu e dela
Que vale muito mais do que nós dois
Eu disse ao garçom que quero que ela morra

Olho as luas gêmeas dos faróis
E assobio, somos todos sós
Mas hoje eu estou de bem comigo
E isso é difícil

Ah, vida noturna
Eu sou a borboleta mais vadia
Na doce flor da tua hipocrisia

(Essa foi uma indicação de meu amigo Leonardo Neves)

Citações



"A essência da propaganda é ganhar as pessoas para uma ideia de forma tão sincera, com tal vitalidade, que, no final, elas sucumbam a essa ideia completamente, de modo a nunca mais escaparem dela. A propaganda quer impregnar as pessoas com suas ideias. É claro que a propaganda tem um propósito. Contudo, este deve ser tão inteligente e virtuosamente escondido que aqueles que venham a ser influenciados por tal propósito nem o percebam."
Joseph Goebbels

“A banalidade é apenas originalidade embotada pelo uso excessivo.”
Max Nordau


“Falar não é suficiente, as palavras não esclarecem nada. Eu terei que bater em alguma coisa, mas no quê?”
Imre Kertész

“As mentiras sempre foram consideradas instrumentos necessários e legítimos, não somente do ofício do político ou demagogo, mas também do estadista”.
Hannah Arendt

“Não há palavras adequadas para o sofrimento causado pela fome. Até o dia de hoje sinto necessidade de mostrar á fome que escapei ao seu alcance. Desde que eu parei de ter fome, eu literalmente como a vida em si. E quando como, estou trancado dentro do gosto de comer. Durante sessenta anos, desde que voltei do acampamento, tenho comido contra a fome”.
Herta Müller