sexta-feira, 21 de abril de 2017

Meus Poemas



Ad terrae in Brasilis.

I
Nossos deuses,
os mais antigos,
eram todos mendigos.

Andavam nus
embrenhados na mata infernal
tomada por rios de sangue
de uma profecia secular
daquilo que era inaudito.

Sim, nossos deuses, eles todos,
já nasceram doentes –
estropiados desde o berço.

O aedo escreve para Vossa Alteza
empedernido com o calor
assombrado com o mundo novo
a distância em tudo
Entre Douro e Minho
até às caravelas
que soluçam ao mar.

Sal de milênios
devorando a carne,
duvidando da Santa Fé
e  seus Ofícios do Inimigo.

Todos nus, desgraçadamente nus,
nossos deuses,
para tudo o que é devastação
e morte.

Terra de nojo,
espólio das coisas perdidas
dos amores nunca realizados
que singraram oceanos
na torpeza da História
que o grão legislador
há de compor
com mãos de força e ódio.

Ah!, o ódio que habita essa Terra
desafia os mesmos deuses,
numa tarefa em que Lúcifer,
mais do que os Santos,
se reconhecerá perdido –
visita ilustre de todos os engenhos
que fundaram a paisagem negra
e de sangue – sempre o sangue –
no escárnio que nos perseguirá,
a nós, filhos dos deuses mendigos.

Nosso Inferno é a dívida e a repetição
a dúvida incessante e a esperança –
violentos dias de escrutínio
de um Futuro sempre obsceno.

Nosso Inferno é o Passado
caiado na porta de todas as casas
que já foram tribos de devastação.

Devastação... palavra dócil
para os lábios da violência
que coabitou com a mentira
e nos fez, nós,
os filhos dos deuses mendigos.

II
Tambores de além mar
se fizeram presentes
no espetáculo absurdo
do açúcar que adoça
a boca dos senhores
com dentes podres –
a separação que há
em toda riqueza.

O Cristo por trás dessa moral
no rancor que nos tomou desde sempre
na missa de jesuítas estropiados
e índios ensandecidos.

Negros... negros... negros...

Repetição e glória
irão habitar esse altar?

Mas nem Cristo, Orixá algum,
Santo ou Maíra
eram maiores do que as Moiras
que erigiriam,
com uma paciência diabólica,
a palavra de nosso estandarte:
separação.

As naus que cortaram o mundo
revoltearam por águas
de desespero
e solidão
atracaram em portos longínquos
deixando para trás
marujos de pele densa
sujos de lama e ganância
ignorantes como a noite
que a tudo invade
desde a aurora
em que os deuses mendigos
se fizeram mortais.

III
Holandeses de Fé duvidosa
coabitaram com as matas
navegaram com franceses enlouquecidos
e espanhóis taciturnos
encharcados de ouro e sangue.

Minha Terra tem um doce amargo
de verões perdidos
de crianças sujas
e casas desabitadas.

Minha Terra –
mil vezes roubada –
foi forjada com ladrilhos portugueses
açoites estridentes
deuses estrangeiros
que desconhecem a compaixão
e um gosto antigo
pela vastidão
de um deserto particular.

Nossos símbolos,
nós que somos filhos
de deuses mendigos,
são a vastidão, a dor,
a solidão e o grito.

Nascemos de um berro -
pântanos e cerrados devastados –
praias vermelhas
e fortes laranjas
que coabitam
o sangue das areias.
Sempre o sangue.

Epílogo

Queria que tu me escutasses
doce criança
mas as estórias
que saem de minha boca
desdizem tudo
incriminam toda Fé
burlam a esperança
e fazem definhar o Futuro.

O trenzinho caipira partiu
pois só os poetas e os loucos
acreditam nos deuses.

Dorme, minha criança,
a noite de sangue
sempre retorna
e os tributos da Coroa
são elevados.

Se, durante a noite,
decidires orar,
te lembras
que os deuses daqui
são todos mendigos.















quarta-feira, 22 de março de 2017

Comentários Cotidianos


Arte e Técnica

Os antigos gregos entendiam que a arte era uma produção. A palavra poiésis (produção) se referia tanto à natureza – que produzia a partir de si mesma – quanto à produção humana. O termo arte deriva do latim “ars” que, por sua vez, deriva do grego tekhné (técnica ou arte).
Desde os antigos até Platão que o termo tekhné se aloja ao sentido de epistemè. Conhecimento, técnica e arte se unificam na existência. Heidegger entende que a técnica é uma forma de descobrimento. A arte, nesses termos, pode ser compreendida como a técnica que desencobre a verdade e revela o sentido da existência.
Mas é preciso atentar, ainda seguindo Heidegger, que esse processo, essa produção se dá na história do ser que é, antes de tudo, determinação da condition e situation humaine. Não é de se estranhar que Hegel tenha afirmado que o artista deva encontrar em si mesmo os seus assuntos.
Sendo um ser no mundo, o homem, na técnica que produz arte, conhece a si mesmo, ao mundo e ao outro. Ou seja, o mesmo. Mas a questão que me surge é: arte e técnica em tudo?
Numa recente conversa com meu amigo Léo Neves, discutíamos esse processo incontornável – exceto pela surpresa da morte – que é envelhecer. O que discutíamos era, antes de tudo, saber se há, na maturidade, algo que possa nos surpreender enquanto novo.
Pensamos no rock e no Heavy Metal. Apesar de termos diversos músicos já em idade avançada, o rock, em sua originalidade e força, parece ser reservado para os jovens. Podemos ver Mick Jagger, Ozzy Osbourne ou Bruce Dickson em plena forma na casa dos sessenta. Mas algo se perdeu: a vivacidade e amplitude das composições juvenis.
Diferentemente da música erudita, do jazz ou do blues, por exemplo, em que a maturidade parece acrescentar novos sabores, o rock e o Heavy Metal (e aqui penso em todos os seus estilos derivados) são, em essência, manifestações de uma técnica que se quer jovem.
Contudo, ainda nos deparamos com senhores de idade dando sentido às suas existências com música tão peculiarmente jovem. Lembrança e sentido se aninham para tornar mais leve a vida.
Diante da maturidade e do envelhecimento, parece-me que o novo se torna uma raridade. A necessidade de conhecer novos lugares, de se apaixonar novamente, de encontrar um autor surpreendente, de escutar um compositor que nos insira nas esferas mais altas da emoção e de experimentar novos sabores se esvaem. Uma pequena frustração se instaura em nossos espíritos.
A busca pelo absurdamente novo está fadada quase que ao fracasso. Desespero, então? Não, em absoluto. É aí que deve ser desenvolvida uma arte e uma técnica que permitam que esse processo de envelhecimento seja vivido em sua plenitude.
Qual a fórmula mágica? Não há, creio, uma resposta universal. Apenas pistas universais. Como é uma arte, cada um deve buscar a técnica que lhe será útil. Trata-se de conquistar a aretê (excelência) do processo. Sêneca, que era discípulo de Epicuro, escreveu:
“A expectativa é o maior impedimento para viver: leva-nos para o amanhã e faz com que se perca o presente. Daquilo que depende do destino, abres mão; do que depende de ti, deixas fugir. Para onde voltas, para o que te dedicas? Todas as coisas que virão jazem na incerteza: vive daqui para diante.”
Viver com intensidade o presente é uma das chaves universais dessas diversas pistas que o universo nos permite acessar. Cuidar do corpo e fazer o que dá prazer. Mens sana in corpore sano é a divisa desse novo oráculo de Delfos. Porém, tendo em vista a temperança epicureana.
Haverá contradições? Somos seres de contradição. Haverá soluções mirabolantes? Somos humanos, esquizofrenicamente humanos. Haverá dor e decepção? Somos seres doloridos. Haverá alegrias? Somos seres dados à alegria. Tormenta e serenidade, obscuridade e claridade, leveza e peso. Eis o que somos.
Essa rocha que é a existência é o local de nosso trabalho. Lembrando Nietzsche: “É preciso não se poupar nunca, é necessário possuir a rudez entre nossos hábitos para ter alegria e ânimo sadios em meio de verdades realmente duríssimas”. Os ébrios de enigma são aqueles que se desafiam até mesmo em meio às tormentas do envelhecimento. Aquilo que meu amigo Léo Neves chamava, com frequência, de hedonismo crítico.
Trata-se, aqui, de elaborar uma hermenêutica da vida na maturidade e não, como antes, uma hermenêutica da morte. Um dos célebres exemplos é o debate entre Carlos Castañeda e Dom Juan em Viagem a Ixtlan. Dom Juan, diante das atitudes infantis de Castañeda, afirma que “a morte é nossa eterna companheira. Está sempre à distância de um braço”. Isso não significa, como muitos entendem, apenas um prólogo ao Carpe Diem. Como diz Dom Juan, a morte está no nosso encalço. Quando a mesquinhez nos assalta, o correto é pedir conselhos à nossa morte. Nada importa, apenas ela. E ela nos diz insistentemente: Ainda não lhe toquei!
O Carpe Diem, se erroneamente interpretado, pode sugerir a ideia de um presente inócuo, de um hedonismo acrítico. A morte, aqui, fornece todo o sentido e as pistas para a própria vida.
Estou envelhecendo. Relembrando as aventuras de um jovem ensandecido. Contando as farras com os amigos. Vislumbrando um amor que amadurece comigo. Estou envelhecendo. Novamente, o velho Henry Miller: “E daí?”
É nesse ponto que nos tornamos caçadores de velhas lembranças; colecionadores de saudades. Mas é preciso ir além.
O mais importante: vivo, absurdamente vivo. Construir a arte, viver pela arte e na técnica. Arte em absolutamente tudo.
Meu pai, no final da vida e devastado por um câncer devastador, me respondeu quando lhe perguntei como era possível viver com tanta dor:
“Ao menos, estou vivo para sentí-las”.
Puta que pariu, sem palavras.




Meus poemas



Oráculo

O sismógrafo indicou:
“O coração vai explodir”.

O médico entrou apressado,
limpou os óculos:
“Caso crônico de saudade”.

A casa tinha livros
por todos os cantos
e uma inscrição em pedra:
“Aqui se morre a cada dia”.

A menina de olhos azuis
suspira seus tremores:
“Mais um dia sem amor.”

O sol lavou o dia
e limpou a sarjeta:
“O bêbado, daqui, se foi”.

O retrato do artista
já não tinha mais gosto de vingança:
“Uma prece
pelo silêncio insone”.

Poemas dos amigos I


Atmosferas
Samarone Lima
De minha avó
Uma forma de amassar o alho
De sorrir entre os escombros
De alternar a incoerência dos dias.

De meu pai
Silêncios atemporais
A respiração entrecortada
E movimentos bruscos.

De minha mãe
Uma forma de estudar as mãos
Como quem joga uma toalha limpa
Numa mesa antiga.

Do meu avô
A busca de algo sem nome
A fronteira apagada num sopro de Deus
O sorriso escorregando
Para um canto da boca.

O gosto pelo infinito
Um horizonte maduro por chegar
Longe e efêmero
Como as grandes esperas.



Poemas dos amigos II


Selváticas
Léo Zadi

eu gosto das arqueiras solares bacantes 
dessas que trazem no olhar a malícia do trapézio e das uvas  e que mostram no olhar a intenção dos lábios
gosto dessas dançarinas que se jogam ludicamente e selvaticamente ao movimento


Séries


Samurai Gourmet


Samurai Gourmet é uma série japonesa com selo da Netflix e que possui doze episódios curtos, algo em torno de 15 minutos cada um. Foi baseada no mangá Manga-han Nobushi no Gourmet de Masayuki Kusumi e Shigeru Tsuchiyama.
Naoto Takenaka vive Takashi Kasumi, um aposentado de 60 anos. De fato, a série começa com o primeiro dia de aponsentadoria de Kasumi. Ele simplesmente não sabe o que fazer após 38 anos trabalhando na mesma empresa. Sua esposa tem um encontro com as amigas das aulas de Yôga e ele se descobre livre e sem rumo.
Assim, Kasumi sai em busca de um bom restaurante para almoçar. Ele entra num restaurante que possui um estilo da era Showa – era que corresponde ao período do reinado do Imperador Hirohito que foi de 1926 a 1986. 
Devidamente acomodado, Kasumi pede berinjela, pimentão e porco apimentado, pouco arroz e pepinos cortados. Um dos grandes méritos da série é o modo como mostra o preparo dos pratos, a estética da culinária japonesa e o modo como as pessoas se alimentam e se relacionam com a comida. E isso num tom sempre divertido.
E é nessa primeira refeição, após a aposentadoria, que o velho Kasumi sente vontade de comer acompanhado por uma boa cerveja gelada. Mas é um dia da semana e em pleno dia. Ele se sente culpado e fica na dúvida se pede a cerveja ou não. Muito lógico que o nome desse episódio seja “Cervejinha do meio-dia”. 
Surge, então, como uma ilusão, um samurai que entra no recinto. O restaurante adquire ares feudais. O samurai se senta e pede saquê com picles. O velho Kasumi o observa com admiração: “É assim que um samurai agiria”. Eis o mote contínuo da série.
Kasumi é um homem comum que jamais se tornará um samurai. Entretanto, seu alter ego o permite realizar seus desejos a despeito de seus condicionamentos e medos. 
No episódio 3, “Peixe no café da manhã”, acompanhamos as aventuras etílicas e gastronômicas de Kasumi numa pousada. Ele pede cavala grelhada com picles de wasabi, nattõ e arroz. Quando ele come a primeira porção de peixe, um prazer imenso invade seu corpo e sua mente: “Tem gosto de mar. O gosto da terra onde a vida nasceu. O gosto dos minerais que criaram a vida. Tem gosto de sol. O sol que faz o peixe seco ficar gostoso. E tem gosto de peixe. O gosto da vida que nada pelos mares”.
Samurai Gourmet é, na verdade, uma grande celebração da vida por meio da culinária e da cultura japonesas. A alegria de Kasumi em beber cerveja e comer sem pressa indica uma visão de mundo que vai contra a fast food. A série fala das pessoas e como o relacionamento com a comida é algo tão essencial e especial. Para quem é apaixonado pela culinária e cultura japonesas como eu, 12 episódios será muito pouco. 




Livros


Beleza e tristeza 
de Yasunari Kawabata

Yasunari Kawabata foi um escritor japonês que recebeu o Prêmio Nobel de Literatura em 1968. Famoso por obras como O país das neves, O ruído da montanha e A casa das belas adormecidas, Kawabata parece se inspirar no silêncio ancestral que habita a tradição de seu país e, ao mesmo tempo, na estética ocidental.
A ambiguidade é um elemento sempre presente na escrita de Kawabata: claro e escuro, silêncio e tremor, amor e violência, apego e esquecimento, alegria e vingança se intercambiam constantemente.
Entretanto, apesar do ritmo que essa estrutura exige, sua escrita corre com uma fluidez arrebatadora. É como se estivéssemos diante das tempestades e abismos de Herzog, mas plenamente cientes da serenidade e solitude que habitam por trás de tudo.
Seus romances trafegam do surrealismo ao impressionismo, mas nunca esquecendo a estética japonesa como uma marca indelével em sua escrita. O que é simbólico em sua narrativa se alinha ao que a mesma possui de abstrata. Não é à toa que o próprio Kawabata cita como referência os trabalhos de Rodin, Chagall e Redon. No sentido inverso, o oriente, é sua cultura quem se desdobra em suas linhas, suas paisagens e personagens.
Beleza e tristeza foi o último livro do escritor japonês. Narra a história do encontro de um amor fragmentado e desfeito: a relação entre Oki Toshio e Ueno Otoko. Oki faz uma viagem para Kyoto para ouvir os sinos de fim de ano. O silêncio, apesar dos sinos, se faz enormemente presente: “Com longos intervalos, o velho sino de um monastério budista soava, e o eco que deixava atrás de si fazia sonhar com a alma do velho Japão e com o tempo que escoa”.
Esse mesmo silêncio o conduz a contemplar sua situação: “... pareceu-lhe ver sua própria solidão girar silenciosamente em seu coração”. Otoko, por sua vez, se tornou, após as desventuras e tristezas de seu relacionamento com Oki (na época já um homem casado), uma artista solitária e reclusa. Ela perdera um filho dele precocemente – e a culpa de Oki se arrastaria até o fim de sua vida.
Oki, então,  elabora uma reclusão consigo mesmo, enquanto Otoko a faz a partir do mundo que a rodeia. A artista era sempre acompanhada, na sua vida reclusa, por uma aluna, Sakami Keiko.
Essa terceira figura da trama entra como uma forma de Kawabata conectar o passado e o presente, o amor e a vingança, o desejo e a perda, a realização e o infortúnio. O que há de tragédia na narrativa do livro vai se construindo aos poucos, num trabalho digno de um monge do Japão feudal ou de um samurai.
Porém, inesperadamente, o todo da tragédia é descortinado repentinamente ao leitor. É como se o longo preparo seguisse um rio que desaba violentamente numa cachoeira que conduz ao abismo mais inexorável que existe.
Kawabata é um escritor que merece ser conhecido, lido e relido. Silêncio, vastidão, passado e amor. Vasto, muito vasto.


Artes Plásticas





Manabu Mabe

Manabu Mabe nasceu em Shiranui, Japão, em 1924. Ainda criança, em 1934, veio com a família para o Brasil trabalhar nas plantações de café no interior de São Paulo. Desde criança tinha interesse por pintura: retratava com os crayons da escola a natureza que o cercava.
Na década de 40, já iniciado na pintura a óleo, se dedica a naturezas-mortas e paisagens. O figurativismo que ele demonstra nas pinturas dessa época já indicava o arrebatamento com que ele percebia e sentia o mundo.
Os trabalhos não figurativos surgem na década de 50. Sua formação se deu a partir de revistas japonesas de arte e livros de arte. Nomes como Picasso, Cézzane, Paul Klee, Dali e Miró, por exemplo, se misturam em sua pintura nessa fase – é Mabe buscando a si mesmo em sua arte. Em 1957, o pintor recebe o Prêmio de Melhor Pintor Nacional na 5ª Bienal de São Paulo. O Japão ganha o Brasil e o Brasil ganha o Japão.
A década de 60 o consagra como pintor de renome internacional. O abstracionismo inicial de suas obras vai ganhando em personalidade e robustez. E é na década de 70 que um acidente aéreo destrói 57 quadros de sua produção.
A partir da década de 80, sua conquista da pintura se torna tão clara que a mestria de seus quadros traduz a própria essência do artista.
As pinturas de Mabe transpiram a leveza e o rigor da cultura japonesa a um só tempo. As cores de suas telas mesclam seu espírito nipônico e brasileiro. Há uma individualidade gritante em suas composições.
O universo dos kanjis, os sóis de um Japão imagético e mítico, a terra seca do Brasil, as montanhas das duas nações, os templos das religiões do oriente, os movimentos calculados e circulares do kabuki e das artes marciais são elementos, entre tantos outros, que suas pinturas nos levam a visitar.
Numa viagem incessante sobre si mesmo e sobre duas terras e duas nações – culturas diametralmente opostas – as obras de Mabe nos convidam para um silêncio que se conjuga com o deleite estético da serenidade. Até mesmo o que é conflito em suas composições possui, em sentido amplo, a leveza da beleza secular que as cria.
Mabe precisa sempre ser revisitado. Algo como um ato de meditação diante do esplendor da natureza e da vida que se descortina em seus pincéis.



Citações




Será que existe um princípio que realmente se aplique a todos os casos? Sim, existe um, é o princípio da eficácia máxima na utilização do espírito e do corpo. Dei a este princípio, de uma generalidade absoluta, o nome de Judô.

Jigoro Kano

No que diz respeito à técnica, desde os tempos antigos foi dito que movimentos devem voar como relâmpagos e ataques devem ser graves como um trovão.

Morihei Ueshiba



Eu não procuro saber as respostas, procuro compreender as perguntas.


Confúcio

Por que as coisas eram tão erradas assim? As perguntas que eu me fazia desde menino um sem-número de vezes subiram novamente a meus lábios. “Por que todos nós somos oprimidos pelo dever de destruir tudo, mudar tudo, confiar tudo à impermanência? É a esse dever desagradável que o mundo chama vida? Ou sou eu o único para quem isso é um dever?

Yukio Mishima


É preciso uma pessoa de grande sensibilidade e discernimento para observar uma anormalidade na erva verde mesmo enquanto esta cresce de forma abundante e saudável.


Kenzaburo Oe